04. Você assumiu recentemente o cargo de Grão-Mestre da GLEPA, quais as principais metas de trabalho?
Fiz uma campanha voltada para o crescimento de nossa Ordem no Pará, qualitativa e quantitativamente, facilitando o ingresso de novos membros, por iniciação, readmissão, filiação e regularização. Meu primeiro passo nesse sentido foi reduzir as taxas para as modalidades de ingresso, algumas delas em até 95%.
Busco também resgatar as tradições maçônicas aos poucos abandonadas. Tenho também a pretensão de tentar melhorar o conteúdo das sessões maçônicas, muitas vezes limitadas à uma ritualística morta sem qualquer efeito prático, procurando transformar essa ritualística em objeto de formação de consciência espiritual, moral e política pois, ninguém pode ignorar que nossa ritualística está impregnada destes três elementos, faltando apenas identificarmos. Esse é o principal objetivo de minha administração.
Se eu conseguir pelo menos implantar essa iniciativa, terei realizado o sonho da minha vida. De ver uma maçonaria que não se limite às ações filantrópicas e beneficentes, mas uma maçonaria que passe a entender que para “tornar feliz a humanidade” não basta doar uma cesta básica por ano, ou um prato de sopa semanal para alguma instituição. Ao contrário, teremos que ter uma participação ativa na espera política, pois assim sempre foi a história de nossa Ordem e que, mesmos alguns tendo consciência disso, insistem em ser alheios a tudo que diga respeito a política, ignorando que todas as decisões que possam “tornar feliz a humanidade” se dá na esfera política da qual estamos cem por cento afastados.
Cerimônia de Posse da Grande Loja Maçônica do Estado do Pará
05. Para você, quais os principais desafios do cargo de Grão-Mestre?
Os principais desafios são implementar as mudança e alterações que entendo necessárias, principalmente aquelas de caráter filosóficos e doutrinárias. Não sou pretencioso ao ponto de achar que vou conseguir convencer os Irmãos que não é proibido discutir política na maçonaria. Se eu conseguir pelo menos que possamos discutir essa proibição já terei feito muito, pois a grande maioria dos Irmãos torce o rosto quando se fala em política, sem entender que tudo nesse mundo gira em torno da política e se pretendemos fazer alguma coisa em prol da humanidade temos que nos inserir na política ou não faremos nada.
06. Em relação ao momento atual do Brasil e o trabalho que a Ordem DeMolay realiza, qual sua mensagem para os jovens garotos que compõe nossas fileiras.
Vejo na Ordem DeMolay, o futuro do Brasil.
E fico muito feliz e entusiasmado ao constatar que os “meninos” já despertam para uma consciência política bem superior àquela observada nos maçons e isso é muito importante, pois ao fortalecermos a Ordem DeMolay, estaremos preparando maçons diferentes para o futuro.
A mensagem que deixo é a de que os jovem garotos de hoje devem cada vez mais se interessar pela política, claro que sem abandonar os princípios da Ordem DeMolay mas, e principalmente, mesclando esses princípios com aqueles voltados pera a defesa da sociedade, tarefa essa que não se faz sem se ocupar politicamente os espaços políticos que se nos apresentam atuando à margem e acima dos partidos, mais com uma posição política definida, com base em um programa que deve ser construído a partir dos interesses da sociedade na qual estamos inseridos. Somos vistos como uma vanguarda e precisamos justificar isso.